"Sim, eu sustento que é preciso haver duas partes na existência:viver como burguês e
pensar como semideus."
Gustave Flaubert, em Cartas Exemplares
Pieter Paul Rubens, Prometeu, 1861
Este ano, tem sido recorrente para mim a discussão sobre as características da arte contemporânea em contraponto às da arte tradicional. Esta última sendo a herdeira de 500 anos de história sem interrupção (1400-1900), embora sua origem remonte a Péricles. E a primeira sendo a atual dona absoluta de todas as bienais, feiras, galerias, lojas de conveniência, quermesses e qualquer coisa facilmente feita na China. Entendam-me bem, acho que existem artistas valorosos hoje: Anish Kapoor e Richard Serra são bons exemplos. Lucien Freud segue outra vertente que particularmente me agrada mais. A crítica aqui vai para a produção insossa e leviana que se arroga o título de arte. Call me old fashion, pois ao ler este diálogo de um livro do século XIX, vejo plenamente retratada a minha opinião sobre as duas manifestações:
É da Inglaterra. Já faz um tempo que tenho me apaixonado por várias coisas feitas neste país. No entanto, foi em um jornal francês, Courrier International, que eu li sobre umas férias em certa auto-estrada. No caso, a M1, um dos principais acessos a Londres. A proposta não só pareceu estranha, mas também era apenas o vislumbre de um plano bem maior. O projeto nasceu em uma empresa social chamada The School of Life. Baseada em um pequeno prédio comercial da capital inglesa, a escola é composta por escritores, artistas, atores e acadêmicos que ministram cursos sobre cinco grandes temas: amor, política, trabalho, família e lazer. As mais diversas áreas do conhecimento são chamadas a participar da busca por uma maneira de viver melhor e mais sábia. Schopenhauer, Platão, Freud, Tolstoi e até Woody Allen dão pitaco nas discussões. A criatividade não pára por aí. São programadas tardes de contemplação sob o céu dos campos ingleses; jantares para aprender a estabelecer laços com estrangeiros; expedições por cozinhas, laboratórios e a especialistas em alimentos por toda Londres, chamada hilariamente de "Uma viagem em Epicuriosidade"; além de várias outras atividades listadas no site. Meu Deus, como isso faz falta!